Seis em cada dez brasileiros com 16 anos ou mais já realizaram alguma atividade voluntária ao longo da vida. O índice de 60% é o maior registrado pela Pesquisa Voluntariado no Brasil desde o início do levantamento, em 2001, quando apenas 18% da população declarava ter tido esse tipo de experiência. Conduzido pelo Instituto Datafolha, o estudo acompanha há 25 anos a participação dos brasileiros em ações voluntárias. O dado ganha destaque nesta semana, quando é celebrado o Dia Nacional do Voluntariado, em 28 de agosto.
Atualmente, o país tem cerca de 60 milhões de voluntários ativos. Desse total, 41 milhões realizam atividades com frequência definida, enquanto 19 milhões participam de forma eventual. Entre 2021 e 2026, a parcela de voluntários frequentes passou de 22% para 23% da população. Já o grupo que realiza atividades sem frequência definida permaneceu em 11%.
A pesquisa também identifica uma mudança na forma de entrada no voluntariado. Em 2026, 83% dos voluntários afirmam atuar por iniciativa própria, contra 76% em 2021. A participação por meio de empresas permanece em 9%, enquanto as organizações da sociedade civil respondem por 4% das portas de entrada. A participação via igrejas caiu de 7% para 4% no período.
Solidariedade é principal motivação
A solidariedade continua sendo o principal motivo declarado por quem realiza trabalho voluntário. Ajudar outras pessoas aparece como motivação para 73% dos entrevistados. O percentual é semelhante ao registrado em 2021, também de 73%, e superior aos 69% de 2011.
As motivações religiosas correspondem a 9%, enquanto fazer a diferença e melhorar o mundo é citado por 5%. Melhorar a autoestima e cumprir um dever de cidadania também aparecem com 5% cada. Retribuir algo recebido da sociedade é mencionado por 3%.
Fome e desigualdade concentram ações
Entre aqueles que realizam ou já realizaram atividades voluntárias, as ações relacionadas à fome, pobreza e desigualdade são as mais frequentes, citadas por 50% dos entrevistados. Saúde aparece em seguida, com 24%, acompanhada por educação, com 22%, e bem-estar animal, com 17%.
Também são mencionadas situações emergenciais, desastres naturais e crises humanitárias (15%), cultura de paz e bem comum (14%), cidadania, inclusão e garantia de direitos (13%), sustentabilidade ambiental e mudanças climáticas (8%) e igualdade de gênero e autonomia das mulheres (8%).
A dedicação média entre os voluntários que atuam atualmente é de 3,6 horas por mês.
Quem são os voluntários
O perfil de quem faz ou já fez trabalho voluntário é equilibrado entre homens e mulheres, com 50% para cada grupo. A idade média é de 45 anos. As maiores faixas etárias são as de 45 a 59 anos, com 26%, e de 60 anos ou mais, com 23%.
Entre os voluntários ativos em 2026, 51% são mulheres e 49% homens. A maior concentração está entre pessoas de 45 a 59 anos, que representam 29% desse grupo.
Em relação à escolaridade, 41% têm ensino médio, 30% ensino superior e 29% ensino fundamental. A maior parte possui renda familiar de até dois salários mínimos, faixa que reúne 52% dos entrevistados.
Falta de tempo é principal barreira
Entre as pessoas que nunca participaram de atividades voluntárias, a falta de tempo é o principal obstáculo, citada por 52%. Outros 12% afirmam não conhecer organizações, projetos ou oportunidades de voluntariado. A falta de convite aparece em 9% das respostas, enquanto 7% mencionam falta de recursos financeiros ou materiais.
Além da participação direta em ações sociais, o voluntariado também pode contribuir para o fortalecimento das próprias organizações. Muitas Organizações da Sociedade Civil enfrentam dificuldades de gestão e de sustentabilidade no longo prazo. Nesse cenário, o voluntariado corporativo pode aproximar essas entidades de profissionais de áreas como contabilidade, recursos humanos e outras especialidades, contribuindo para o aprimoramento de processos e estruturas de gestão.
A Direção Cultura atua na criação e no aprimoramento de políticas de responsabilidade social e programas de voluntariado corporativo para empresas.
Com experiência de mais de 25 anos no uso das leis de incentivo, também fortalecemos as relações entre o terceiro setor e o ambiente corporativo. Empresas que estimulam o voluntariado entre seus colaboradores, vêem aumento do engajamento, sensação de pertencimento, melhoram o clima organizacional e ainda ampliam sua contribuição para o desenvolvimento social.
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